quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Quando a gente descobre que o Pão de Açúcar é um monumento e não um pão doce e gostoso com açúcar de confeiteiro em cima...

Quanto mais o tempo passa mais rápido nos apaixonamos, acho que são as rugas que começam a se formar em cima das sobrancelhas e a gente quer “curtir a vida adoidado”. Bem antes de nos tornarmos balzaquianas, nos apaixonar por um maior número de rapazes possível, é muito bom, para que tenhamos mais “opção” e vivamos o maior número de experiências possíveis até selecionarmos o parceiro certinho até a idade das semi-lobas com o título de amadas e bem sucedidas!

Ana Clara, no auge de seus 28 anos decidiu que seu diploma de doutora em Comunicação e Cultura a consolidava como a mulher que não perderia mais seu tempo com “fuleiros” e derivados, conheceu Flávio, mineirinho de uma pequena cidade, 34 anos, ortodontista, morava com a família porque não deixava os pães de queijo da D. Quitéria (65 anos e evangélica) antes de seu primeiro casamento.

Ana morava sozinha na Cidade Maravilhosa, tinha seu carrinho popular que a levaria para a pequena cidade mineira aos feriados. O namoro à distância dava certo porque os dois estavam completamente APAIXONADOS e teoricamente ‘amadurecidos’ para um relacionamento com direito a troca de alianças no futuro próximo. No começo, Flávio ia ao Rio de Janeiro com mais freqüência a independência 1000% de Ana facilitava esse deslocamento da parte dele, mas na quarta viagem, ele insistiu para que Ana conhecesse a casa dele, e não demorou muito para que ela passasse a ir não somente quatro, mas quarenta vezes à pequena cidade... Já que o rapaz se desempregou nessa época e essa era a única forma do casal APAIXONADO se ver.

O cara era gatinho, divertido, se vestia bem, usava um bom perfume, não gostava de ficar bêbado demais e de filmes lado B (preferia os American Pie da vida) assistia muita, mas muuuita televisão e era acima de tudo: FAMÍLIA! Ele, a irmã Dayane (dona de casa abandonada pelo marido), os sobrinhos Julinha, 9 anos e uma monocelha, o Tavinho, 8, e seu instinto serial killer, dois labradores com pulgas que circulavam livremente dentro da Casinha Roxa de tanto limo, e claro, a mãe: D. Quitéria seus pães de queijo, toalhas e lençóis puídos, prateleiras de livros e mais livros da igreja Internacional da Graça de Deus... Enfim, assim que Ana pegava seu carrinho popular 2006 para se deslocar à cidadezinha, era necessário tomar boas doses de cachaça PELA ESTRADA MESMO!

No começo, Ana ainda achava aquele estilo Almodóvar da família de Flávio muito engraçado, mas depois que a mãe do menino deixava Ana dormindo com ela ao invés de ser no quarto dele, oferecia sabonete de origem duvidosa para substituir o xampu, pegou piolho de Julinha, recebeu tapa com o tênis de Tavinho e foi convidada por Dayane a cheirar pó atrás da Casa da Barbie de Julinha, para Ana não havia concessões que pagassem tamanha paixão que pensava sentir por Flávio, que além do mais, queria que a garota acompanhasse a sogra à Igreja e agüentasse os hábitos estranhos do rapazola, entre elas:

- Ligar a TV antes de fazer sexo

- Não apenas alugar os filmes American Pie, mas rir deles!

- Seu livro preferido era toda a literatura de Paulo Coelho e Dan Brown, mas não entendeu o que significava o cálice do Código da Vinci

- Não gostar de peças de teatro que não fossem engraçadas (as preferidas eram as que tivessem sexo, mas não as de Nelson Rodrigues) enquanto Ana gostava dos textos de Nelson e Suassuna ...

Enfim, passados 1 ano e meio de paixão, o romancejo terminou, o que supostamente seria sua última tentativa antes da chegada de seus 30 anos, e quem acabou terminando foi o próprio Flávio porque Ana puxou o cabelo de Tavinho enquanto ele apontava um palito de fósforo para o rosto dela, Ana se revoltou e foi embora no mesmo dia... O rapaz ainda tentou reatar o namoro, ligou milhões de vezes, mandou flores, carro de som (ixi!) foi ao Rio, atrás da menina e pra piorar, na época dos jogos Pan Americanos, o rapaz surtou um mês antes e ligava DIARIAMENTE chorando porque lembrava dela e, no dia da estréia enviou por Sedex uma maquete feita de material protético que simbolizava o Bondinho do Pão de Açúcar do Rio de Janeiro e o sol? Ora porque não? - era o Mascote do Pan! http://diariodorio.com/wp-content/uploads/2007/06/balao-do-caue.jpg bem, depois dessa, Ana trocou todos os contatos possíveis, mudou e-mail, telefones, saiu do Orkut e nem cordial mais conseguiu ser com o rapaz! Comprou novas toalhas e lençóis para que nunca cheguem perto do estado de putrefação daquelas que a enxugavam na casa de D Quitéria, decidiu estudar teologia e quando vê uma filial da Igreja Internacional da Graça de Deus passa na outra esquina.

A verdade é que aos 30, hoje, ela recomeça não tão voraz com a quantidade incalculável de homens, mas seleciona os poucos e bons e se prepara agora para quando se tornar uma Loba de 40 anos ser uma mulher bem sucedida e claro, se amada, que seja bem amada!

2 comentários:

SParaMaiores disse...

Nunca vi um retrato tão fiel de uma pessoa. Talvez somente uma maquete seja tão parecida com o rio, como Flávio de seu muso inspirador!

Estou sem palavras...só posso lhe pedir mais uma coisa agora: faz um S para mim?

TUDO!

Carla Ferreira disse...

Quando eu vi o título deste blog, não sei porque, mas já sabia que era teu.

Lembro do chega-te a mim.

hahahhahahaha...

BeijUs :*