sábado, 22 de agosto de 2009

Se meu saco ta cheio, eu vou encher o dos outros pra quê?


Há algumas semanas fui a um jantar com gente importante aonde uma moça se ateve a falar, falar e a falar sem parar durante uma hora seguida sobre recorrências ao Procon e sua unha quebrada na hora do barraco, não sei se foi o vinho, os 20 e poucos anos, o esmalte Tomate ou a velha mania da mulher parecer maior do que o salto agulha. Que droga, não tenho paciência e fiquei de saco cheio

Nada me deixa mais irada do que gente que faz incessantemente a mesma ação: fala sem parar, que urge sem parar, que complica sem parar que se opõe sem parar e que se acha alguma coisa sem parar... Não que eu não me inclua nesse rol de enjôos, mas quando ocorre com outros meu coração dói mais e aciono o a tecla “mute” e “pause” pra ver se o sol brilha um pouco mais lá fora.
Odeio brigas e discussões com indivíduos assim, mas não sei onde acho o diacho do motivo pra discutir tanto com a minha mãe, tem tanta diferença que todo dia ela me parece mais essencial e admirável, meu pai habita exatamente o outro lado do meu solo e não tem e-mail, nem dá tempo de discutir porque quando ele liga é natal e são 23horas no Brasil, são 11horas lá e tem neve na rua.

Ando mesmo é de saco cheio da velha mania do brasileiro em achar que se virou teu colega tem ingerência sobre a tua vida, de saco cheio da liberdade de expressão e a velha mania de reproduzir as gírias da novela das 20h da Globo, não sei que porra de tique “tic” que as pessoas fazer por aí com o pescoço encurvado pro lado esquerdo, não falo nada, eu aperto o “mute” congelo a cena e vou ao banheiro. O mundo tem me neurado!

Mas pra variar discutir, discutir mesmo saco minha metralhadora na mamãe e no namorado, não sei pra que quis tanto namorado se me comporto mal ao menos uma vez por semana, me pego às vezes chegando décimo quarto minuto de tempo -da moça do jantar- discutindo a carência de professores capacitados no ensino superior, quero um namorado ou quero um ativista utópico de um partido comunista?!
Não que eu não já tenha louvado a Che, mas gosto de lingerie CK e, ferrou, tenho dois Nike na sapateira, o que não me deixa digna da minha luta a favor de pós graduação, “linha de pensamento político ético e inteligível” para professores do ensino superior, até porque as pessoas mais insalubres que conheço tem pós doutorado e óbvio, não tem um Nike na sapateira, mas tomam Cuba Libre (feito com coca cola- há!).

Namorado, mãe e pai japonês não podem participar dos meus discursos e meu ativismo sobre “a fome no mundo”, e acho que escrevo pra que eles me leiam em assuntos indigestos, dessa forma, fico liberada para que a noite eu possa- sem irritações- jantar com meu namorado, ir ao barzinho com a mamãe, e escrever uma carta cheia de fotos pro papai. Estou de saco cheio, mas não ta legal encher o do outros, principalmente de pessoas que tem funcionalidades mais interessantes.

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